O transporte de produtos sensíveis à temperatura, como alimentos e medicamentos, em grandes centros urbanos, enfrenta desafios como o trânsito intenso, as restrições de circulação (como rodízios e zonas de carga e descarga), e os altos custos operacionais. Esses fatores limitam a eficiência, comprometem a segurança da carga e dificultam o atendimento de demandas urgentes ou em pequenas quantidades. A consequência são poucas entregas diárias e o risco constante de degradação da carga. No entanto, uma nova abordagem está revolucionando a logística urbana: uma solução inovadora sobre duas rodas que garante agilidade, integridade da carga e adaptação total aos gargalos da cidade.
O futuro da logística ativa

O crescimento acelerado do e-commerce de alimentos, aliado à distribuição fracionada e de alta frequência de produtos biológicos, impulsiona uma demanda sem precedentes por novas soluções. Dados da E-commerce Brasil indicam que produtos refrigerados e congelados já representam 15% das compras online de alimentos e bebidas no país. Esse percentual é a ponta do iceberg, sinalizando que o mercado de entregas com controle de temperatura pode crescer exponencialmente, desde que haja uma solução viável para o “última milha”. Este cenário exige alternativas mais eficientes, rápidas e adaptáveis para atender ao mercado em expansão, às expectativas dos consumidores e, crucialmente, às necessidades de entregas fracionadas e emergenciais.
Diferente de soluções passivas, a tecnologia empregada nesse novo modelo gera energia a partir do movimento da própria moto, utilizando CO₂ líquido como material refrigerante. Esse sistema ativo de controle de temperatura mantém a carga em temperaturas precisas, com capacidade de operar entre −18∘C e 25∘C. Além disso, a tecnologia permite uma autonomia de até 4 horas da bateria, mesmo com a moto desligada, eliminando a necessidade de manter o motor funcionando em centros de distribuição.
Eficiência e redução de custos
Enquanto uma van refrigerada realiza em média de 4 a 5 entregas por dia, uma única moto consegue fazer cerca de 30 entregas. Essa flexibilidade é essencial para atender a janelas de tempo curtas, evitar rodízios e restrições de caminhões em metrópoles como São Paulo, e facilitar entregas urgentes ou diretas ao remetente.
O custo médio por entrega de uma minivan tradicional pode variar entre R$80,00 (oitenta reais) e R$100,00 (cem reais), enquanto uma solução em duas rodas pode ter um custo de somente R$3,88 (três reais e oitenta e oito centavos) por entrega, representando uma redução de custo de até 20 vezes. Essa eficiência financeira permite que empresas repensem suas estratégias de distribuição, podendo realizar entregas mais frequentes para garantir a frescura de produtos ou expandir serviços de entrega direta ao paciente.
Unindo o essencial ao inovador

Para indústrias altamente regulamentadas como a farmacêutica, de alimentos e de materiais biológicos, a conformidade regulatória é crucial. Um sistema de monitoramento em tempo real garante que a temperatura seja mantida, mitigando o risco de perdas, multas e danos à reputação. Essa abordagem oferece tranquilidade e segurança regulatória, um valor inestimável para empresas que operam sob processos bem definidos.
Além disso, a solução de entregas por moto está alinhada às metas de sustentabilidade (ESG). As entregas por moto emitem 5 vezes menos CO2 e consomem 5 vezes menos combustível do que as vans. O sistema de autoabastecimento energético evita que o motor precise ficar ligado em centros de distribuição, contribuindo para a redução de emissões.
Essa eficiência financeira permite que empresas repensem suas estratégias de distribuição, podendo realizar entregas mais frequentes (garantindo a frescura dos produtos) e expandir serviços de entrega direta com viabilidade.
O futuro da logística está a um passo
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Referências Bibliográficas
- E-commerce Brasil. (2024). Estudo E-commerce Brasil – “E-commerce de Alimentos e Bebidas”. Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/
- Grand View Research. (2021). “Cold Chain Market Size, Share & Trends Analysis Report By Type, By Technology, By Application (Fruits & Vegetables, Dairy, Fish, Meat & Seafood), By Region, And Segment Forecasts, 2021 – 2028”. Disponível em: https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/cold-chain-market
- Lopes, G. F., & Neves, F. M. (2022). “Logística Urbana e o Setor de Transportes no Brasil: Uma Análise Bibliométrica”. Desenvolvimento em Questão, v. 20, n. 51, p. 1-19. DOI: 10.21527/2237-6453.2022.51.64299. Disponível em: https://www.revistadq.com.br/
- Puchala, A. (2019). “Comparing Delivery Speed and Efficiency of Bicycles vs. Vans in London”. Journal of Transport Geography, v. 76, p. 11-18. DOI: 10.1016/j.jtrangeo.2019.03.001. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/journal/journal-of-transport-geography

